sexta-feira, 21 de abril de 2017

Escola de Sangue



"Não há vida sem morte, como não há morte sem vida, mas há também uma morte em vida. E a “morte em vida” é exatamente a vida proibida de ser vida".
Paulo Freire


Instaurou-se em terras tupiniquins advindas dos Estados Unidos e da Europa uma brincadeira conhecida como Baleia Azul. A brincadeira ou jogo consiste em um desafio na internet que passa por 50 fases das mais diversas e a ultima fase do jogo é o suicídio do Player (Jogador em português). Este jogo macabro e com origens desconhecidas é muito popular entre jovens de idade escolar pré-universitária ou iniciando a faculdade.

Pode parecer que a idade dos Players deste jogo não seja importante, que venha a ser algo banal ou comum pelo fato de jovens da geração do milênio (nascidos após 1990) entrem constantemente em desafios de internet, mas antes fosse isso, o jogo Baleia Azul demonstra um fracasso no sistema educacional brasileiro grave e difícil de ser corrigido.

O suicídio só ocorre quando a pessoa está em um grave quadro de depressão, doença que não tem origens conhecidas e não se pode afirmar de onde vem, porém existem estudos que partem do pressuposto que situações de extrema pressão levem uma pessoa a desenvolver graves quadros de depressão que por motivos óbvios se tornam irreversíveis quando se suicida.

A partir destes fatos apresentados no parágrafo anterior é que afirmo que o jogo baleia azul (Que já matou mais que a AIDS na ultima semana) é a principal prova que o nosso sistema educacional falhou, pois nosso sistema educacional cria muitas coisas ruins que desenvolverei nos parágrafos seguintes.

Uma das coisas que o nosso fracassado sistema educacional cria é o mito da meritocracia universal e positivista. Enquanto estudantes somos forçados a acreditar que todos temos as mesmas oportunidades e que somente o nosso esforço basta, e sabemos que não é bem assim, pois se uma criança vai de carro para escola e a outra vai de ônibus a segunda criança fica prejudicada. O horário que a segunda criança acorda também é mais cedo que o da primeira, mais uma coisa que atrapalha o rendimento dela. Existem outras inúmeras situações que levam o mito da meritocracia para o lixo como por exemplo a vulnerabilidade social da criança, o acesso a materiais escolares e de pesquisa de qualidade e acesso a tecnologia.

O segundo ponto que o sistema pelego e traidor educacional brasileiro nos força a acreditar é que temos que ter sucesso aos 20 poucos anos, algo que em uma sociedade tão desigual quanto a nossa é quase impossível se tudo seguir o ritmo natural das coisas que é o fracasso de quem tem é menos abastado socialmente e economicamente, este ponto é o que leva a maioria dos jovens nas universidades a entrarem em desafios suicidas como o Baleia Azul.

Outro ponto que o sistema opressor nos leva a crer com toda fidelidade do mundo é que temos que ter nossas carreiras decididas aos 16 anos de idade, e que temos que ser aprovados no primeiro vestibular que prestamos, criando um mito de que não existe vida depois disso, este fato é o que leva o suicídio dos jovens na fase vestibulanda. Eu falo por mim mesmo que aos 16 anos não precisa ter carreira decidida que isto é um erro porque aos 16 eu queria ser jornalista, aos 17 desejo de ser advogado, hoje aos 18 quero ser sociólogo.

O machismo que prospera na educação brasileira também leva a inúmeros suicídios, como os meninos são ensinados que tem que ter todos os seus desejos atendidos eles julgam que quando a primeira paixão deles não retribui o amor que eles sentem por elas, às vidas deles acabaram e procuram o suicídio como solução para o problema do coração partido e o machismo instaurado.

O problema hoje não é o desafio Baleia azul, se acabar o baleia azul amanha criam o baleia verde, vermelho, amarelo e até caqui, tudo continuara sendo a válvula de escape que muitos jovens encontram para fugir de uma realidade triste e penosa que o nosso sistema educacional impõe,logo a solução não passa pelo combate ao Baleia azul e sim por uma reforma do Sistema educacional brasileiro e suas relações sociais.


Por: Júnio Matheus da Silva Cruz, juniomatheus10@gmail.com

2 comentários:

thiago cerqueira disse...

Muito bom!

Cris Cunha disse...

Só pra lembrar Baleia Azul não é um fenômeno que surgiu e atinge apenas brasileiros. É um problema mundial e atinge jovens de vários níveis sociais em vários países, inclusive de primeiro mundo. O jovem machista que nao aceita um não do seu primeiro amor geralmente mata o objeto do seu amor e não comete suicídio. Por fim concordo que nosso sistema educacional está péssimo e precisa ser reformado e reformulado.

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