quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Amores Obscuros



Este poema, escrevi em 2001, e na reorganização do que escrevi o achei. Escrevi este poema quando percebi que o amor era para além do tempo, do espaço, dos sentimentos... Que se encontra amor (diferente de quem o busca). O amor não se procura mas sim aparece, reconhece, redescobre e na analogia do Sol e da Lua, que mesmo distante se pode estar perto, pois se existir a proximidade do coração, de nada importa a distância das terras.


Amores Obscuros

Eu te amo e tu não sabes
mas eu canto e tu não ouves.
Te amo secretamente,
para que ninguém saiba
o porque dos meus humildes versos.

Só o silêncio revela este ritmo
de minhas estrofes aonde traduzem
o infinito do meu coração.

Fico desfarçando, mas te olho,
isso tudo acontece para que todos
não percebam essa sutil contemplação
que traz a mim teu perfume.

Acho que pareço a Lua que ama o Sol,
na aparente distância que nos uni.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Espaço do Saber - Contagem; MG


Deixo aqui uma ótima dica de conhecimento na cidade de Contagem, o Espaço do Saber abriga em seu complexo arquitetônico diversas formas de perceber a cidade de Contagem.

Através da música, da dança, da leitura, do cinema e entre outras manifestações educativas e culturais este equipamento torna-se ponto referência do Programa de Educação Integral e Integrada de Contagem. Localizado no Território Educativo e Educador (TED) nº1 na regional Eldorado, pode-se dizer que a democratização e modernização dos equipamentos públicos de educação passam por este perfil, um verdadeiro Self-Service da mais rica herança humana, o conhecimento.

O espaço fica na praça S/Nome, na rua Portugal, 370 entre as Avenidas  José Faria da Rocha e João Cesar de Oliveira no centro comercial do Eldorado, telefone de contato: (31) 3911-9394.
blog: 
http://espacodosabercontagem.blogspot.com/

Entre e sinta-se servido de conhecimento. Abaixo algumas fotos do Espaço do Saber:



sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A educação na construção de uma nova ordem societária.




Diferente do costume criador de alguns artigos que já escrevi, percebi que se fosse explanar algumas idéias sobre a construção de uma educação popular que tem por objetivo o caráter libertador, não deveria deixar de me aproximar do científico, mas também era necessário que pudesse, através da escrita, fazer-me entendido pela simplicidade que as palavras podem ter, por mais complexo que se fizesse seu sentido.
            Uma educação libertadora, pressupõe, no conceito mais amplo, perceber, assim como Paulo Freire, que ninguém é sujeito da autonomia de ninguém.  É preciso construir no dia a dia do mundo uma verdadeira possibilidade de perceber o outro nas suas diferenças pois, se falamos em autonomia e vivemos no coletivo, somente poderíamos viver de forma harmônica se nossa liberdade não nos levasse à prisão, seja ela de forma concreta ou no silêncio do não dito.
            Na formulação mais ampla que se atribuiu ao sentido político e pedagógico da educação, a dimensão humanista e criadora de novas possibilidades nos deu as experiências do espaço educativo aplicadas à possibilidade de perceber o quanto é perigoso apenas a teorização dessas perspectivas educadoras, que para alguns campos trouxe apenas a linguagem do politicamente correto. O dizer que se acredita em outras possibilidades pedagógicas apenas para esconder preconceitos e conflitos na busca positivista de um mundo sereno.
Dialogo sobre este papel de teoria e prática, pois acreditar em um modelo transformador de educação é construí-lo justamente com a movimentação do conflito, com a possibilidade da diferença quando essa diferença não a transforma em desigualdade, pois se esta possibilidade de diferença trouxer uma deformidade de condições é porque apenas vivenciamos em nossos discursos, o que não possibilitamos ao coração. Passaríamos assim como Raul Seixas na música “Por Quem os Sinos Tocam” a dizer que convencemos as paredes do quarto e dormimos tranquilos, mas sabemos que no fundo do peito não era nada daquilo, era apenas uma forma do tempo passar.
Continuando, conforme Raul Seixas, a explorar a música, “Por Quem os Sinos Tocam” trazemosz a responsabilidade de, antes da aplicação do que chamamos de Projeto Político Pedagógico – PPP lembrando que o mesmo não se serve apenas para a Unidade Escolar,  buscarmos um projeto societário que se permeie também pela educação. Devemos constantemente nos perguntar, por quem fazemos, para quem fazemos e com quem fazemos? Para que dialogo nesta perspectiva? e Essa perspectiva tem o compromisso de mudança ou de apenas manter o modelo de produção como está?
Se nosso planejamento e nossa ação servirem para a continuidade, nosso papel será, como Florestan Fernandes ressaltava, aliado daqueles que exploram. Nesse espaço, a educação apenas será o lugar do treinamento e domesticação e não o da educação que desejamos que transmitisse, em seu cotidiano com o mundo, suas possibilidades revolucionárias de pensar o diferente. Sem a possibilidade de construir o novo, apenas nos cabe o estabelecimento da ordem vigente.
Uma educação que se permita ao mundo, deve ser além de humanista, para que ela não perceba apenas a humanidade como transformadora, porque em uma ótica ambiental, nossa construção enquanto humanas e humanos trouxe ao mundo em que vivemos mais degradação do que consolidação do papel educativo, a liberdade. É importante perceber que não simplesmente buscamos  educar, mas vivenciamos a educação no dia a dia do mundo, este sim não pode considerar como educador ou educando apenas os seres humanos, mas todos os seres vivos que contribuem em algum momento com a construção da vida.
Essa educação para a vida tem que perceber nas possibilidades do todo a integralidade das relações que se formam que no seu fazer coletivo; desejos de ordem individual ou coletiva se completam e não se priorizam.
Uma nova ordem societária deve ser pensada pelas vias da educação, não se pode ser concretizada se não percebemos a importância de olhar a educação não como possibilidade finalista de atuação, mas como parte de um processo em que percebamos que seres vivos ofertam, de forma individual ou coletiva, a possibilidade de uma construção do todo.
Afinal, dizemos o tempo todo que um mundo melhor precisa de Educação, porém que educação é esta? Para quem ela serve? Com quem ela se constrói? Ela está a serviço de quê?. Não acredito em uma educação que não provoque mudança.
Termino este pequeno pensamento, possibilitando, assim como Buda, uma grande reflexão que nos traz o concreto e abstrato nas nossas possibilidades de observar e possibilitar construções, pois apenas vivemos porque queremos a busca da felicidade, que me impossibilito acreditar que possa ser apenas minha, pois não vivo sozinho no planeta. Esse pensamento retrata a seguinte expressão: Se as pessoas percebessem que a única realidade definitiva é a mudança, elas seriam mais felizes. Para que eles e elas sejam felizes temos que buscar uma educação para além de tudo já proposto, mas que se proponha a se construir na dialética pela vida.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Opinião - Zé Keti


Contra a mídia golpista, 

eu não mudo de opinião: 

eu luto pela democratização!


Nascido em 16 de setembro de 1921, embora tenha sido registrado, em 6 de outubro, no bairro de Inhaúma, José Flores de Jesus, ficou conhecido como Zé Kéti . Em 1924, foi morar em Bangu na casa do avô, o flautista e pianista João Dionísio Santana, que costumava promover reuniões musicais em sua casa, das quais participavam nomes famosos da música popular brasileira como Pixinguinha, Cândido (Índio) das Neves, entre outros. Filho de Josué Vale da Cruz, um marinheiro que tocava cavaquinho, cresceu ouvindo as cantorias do avô e do pai. Após a morte do avô, em 1928, mudou-se para a Rua Dona Clara. Cantou o samba, as favelas, a malandragem e seus amores.

Em 1964, participou do espetáculo "Opinião", ao lado de João do Vale e Nara Leão, que o levou ao concerto que tornou conhecidas algumas de suas composições, como "Opinião" e"Diz que Fui por Aí" (esta em parceria com Hortêncio Rocha). No ano seguinte, lançou "Acender as velas", considerada uma de suas melhores composições. Esta música inclui-se entre as músicas de protesto da fase posterior a 1964; a letra deste samba possui um impacto forte, criado pelo relato dramático do dia-a-dia da favela. Nara Leão, Elis Regina fizeram um enorme sucesso com a gravação desta música.



Também em 1964, gravou pelo selo Rozemblit um compacto simples que tinha a música "Nega Dina". Nessa mesma época, recebeu o troféu Euterpe como o melhor compositor carioca e, juntamente com Nelson cavaquinho, o troféu O Guarany, como melhor compositor brasileiro. Com Hildebrando Matos, compôs em 1967 a marcha-rancho "Máscara Negra", outro grande sucesso, gravada por ele mesmo e também por Dalva de Oliveira, foi a música vencedora do carnaval, tirando o 1º lugar no 1º Concurso de Músicas para o Carnaval, criado naquele ano pelo Conselho Superior de MPB do Museu da Imagem e do Som e fazendo grande sucesso nacional.



Em janeiro de 1999, recebeu a placa pelos 60 anos de carreira na roda de samba da Cobal do Humaitá. Apresentou-se ao lado da Velha Guarda da Portela e teve várias músicas regravadas.

Aos 78 anos, Zé Keti morreu de falência múltipla dos órgãos em 1999.

biografia retirada do site wikipédia.


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Tudo ao seu tempo'



No meu tempo,

No escorrer da lagrima ardente,
uma anormalidade inconseqüente
recolhe esta pequena lagrima
que cairia precocemente.
O que passa em meu pensamento?
Chorar recorre seu momento

E ao esperar de forma triste tento,
Me contento.

domingo, 23 de outubro de 2011

Formação Política e a MUDANÇA que queremos cada vez MAIS no mundo!


Este artigo propõe construir novas formas de construção a um processo de formação política e social que busque articular tanto as novas formas de linguagem e informação, quanto também um traçado pedagógico voltando a educação popular.


sábado, 22 de outubro de 2011

MST participa de vigília nos aeroportos (não, a privatização)





O MST, juntamente com outros movimentos sociais, sindicais e organizações políticas, participa dos atos políticos que acontecerão nesta quarta-feira (19), às 21h, nos aeroportos internacionais de Cumbica (Guarulhos), Viracopos (Campinas) e Presidente Juscelino Kubitschek (Brasília).


O ato ocorre contra o processo de privatização do setor aeroportuário do país, cuja desnacionalização inicia-se pela concessão destes três aeroportos. O Movimento defende que tal setor estratégico nacional não pode ser concedido à iniciativa privada, devendo permanecer sob as mãos do Estado brasileiro.

“Não podemos deixar que um setor com tal magnitude estratégica seja entregue à iniciativa privada, ameaçando a soberania do país. Sabemos os males que acompanham os processos de privatização, que vai desde a elevação dos custos aos consumidores até a precarização do trabalho e a diminuição da segurança nos vôos. Além do mais, não podemos deixar que o governo volte às eras das privatizações, como foi nos anos 90”, afirma João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST.

A participação do MST no ato político também visa apoiar a paralisação do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina), com greve marcada para se iniciar às 00:00 desta quinta-feira (20/10).
Abaixo, veja a moção dos movimentos sociais em solidariedade à luta dos aeroportuários. 

fonte: www.mst.org.br 

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Juventude Petista de Minas Gerais: E o que o tempo nos espera



“Quem sabe eu não tente
E que o tempo nos espera
Skank

Escrevo esta singela contribuição que pretende contribuir para uma nova gestão a Secretaria de Juventude do PT, a segunda verdadeiramente eleita por jovens de todas as regiões de minas.

Considero importante relembrar na qual essa segunda gestão não surge “do nada”, menos ainda as forças políticas e as formas de pensar e escrever as histórias da JPT mineira. Em sua primeira gestão, a JPT teve muitos desafios quais mostraram antes de qualquer avaliação a necessidade de compreender que a unidade na ação fortalece e legitima o que chamamos entendemos de coletivo sem eliminar os diferentes olhares que tanto nos norteiam como democráticos e de massas.

O “ponta-pé” da primeira gestão também orientou que não se pode pensar uma juventude no tamanho e na diversidade de Minas Gerais em seus mais de 850 municípios sem construir uma gestão estadual com apoio das secretarias municipais, sem dialogar com quem está todo o tempo como diz a letra da banda Skank, vivendo o “imperfeito e o mais que perfeito” e encontra-se constantemente materializando o dialogo com a juventude mineira.

Construir uma grande rede mineira de secretarias municipais de juventude do PT, que para além de uma simples “mala-direta”, possa concretizar um grande veículo de comunicação com o viés de ser informativo e formativo refletindo as conquistas do coletivo estadual ao longo das estradas mineiras.

Importante pensar também que esta nova gestão tem como desafio repensar que a juventude do PT a um bom tempo não se encontra mais apenas centralizada nos espaços de juventude. O 4º Congresso  do PT apenas reafirmou uma realidade de que @s jovens petistas estão para além de antes em um espaço tutelado, mas estão inclusive na presidência de muitos diretórios municipais e em outros espaços estratégicos no partido.

Para além do PT, a juventude mineira e não diferente do resto do Brasil, passa a ocupar espaços governamentais e legislaturas que dialogam sobre diversas temáticas. Neste compromisso temos que aprender cada vez mais dialogar com os novos desafios que assumimos como no Meio Ambiente, nas discussões de Gênero, Etnia, Sexualidade, Direitos Humanos, Educação, Saúde Pública, serviço Sócio Assistencial, Esportes entre outros. Não temos uma nova juventude petista mineira, mas uma juventude petista que abriu seu diálogo a novas possibilidades de pensar e escrever sua história no mundo.

Para isso nossa maior estratégia deverá ser a formação política dessa juventude. Uma formação política onde possa dialogar com outras metodologias de ensino que não pensem na simples transferência de conhecimento, mas perceba que este conhecimento e o diálogo de saberes tornam-se desafiadores e fundamentais para a formação cidadã e humana aliada aos princípios que nos norteiam enquanto partido de esquerda.

Pessoalmente me sentir triste por quase uma “unanimidade” da juventude petista mineira que estava no segundo congresso desconhecer o dia 9 de outubro, ou melhor, não apenas a data, mas a história de Ernesto Guevara,  um símbolo tão recorrente a esquerda mundial que se perde muitas vezes no dia a dia da nossa pragmática militância petista.

Sem conseguirmos comunicar com esta diversidade espalhada nas curvas das montanhas mineiras e sem possibilitarmos o mínimo de uma formação política que consiga ir além de uma sala de aula, mas que seja dinâmica e inovadora como nossa juventude iremos reproduzir o que a burguesia nos espera.

Sem estes desafios não poderemos contribuir com o que temos de responsabilidade quando nos assumimos “petistas”, a luta contra toda forma de opressão e a construção de uma nova ordem que possibilite a trabalhadoras e trabalhadores uma vida melhor.

--
Leonardo Koury Martins: Assistente Social, Escritor, e militante da tendência MAIS-PT.
 

domingo, 25 de setembro de 2011

Educadores/as, em greve, realizam atos, permanecem acampados na ALMG e outros estão em greve de fome



Trabalhadores/as estão no hall das Bandeiras, na ALMG, acampados desde a última terça-feira (20/9), após a Assembleia Estadual da categoria. A iniciativa busca exigir abertura de negociação com o governo para a implantação do Piso Salarial. Na manhã desse sábado houve uma interrupção de água, sob alegação da lavagem de caixa d’água. Também na ALMG, os educadores Abdon Geraldo Guimarães e Marilda de Abreu Araújo permanecem em greve de fome desde às 14h da última segunda-feira, 19/9. Os trabalhadores/as que estão acampados e em greve de fome pretendem manter as manifestações até que seja aberta negociação com o governo de Minas.

Na manhã dessa sexta-feira (23/9), aproximadamente 200 educadores/as, coordenados pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais, promoveram manifestação em frente ao Ministério Público. Na ocasião, acontecia a solenidade de entrega da medalha José Lins do Rego, da qual estava prevista a participação do governador Antonio Anastasia. O objetivo era mostrar o descaso do Governo com a educação mineira.

Os trabalhadores exibiram faixas e cartazes e proferiram palavras de ordem, como "Com luta, com garra, o Piso sai na marra" e “É greve, é greve, até que Anastasia pague o Piso que nos deve”. A categoria esta paralisada desde o dia 8/6, pelo cumprimento da lei federal 11.738/08, que regulamenta o Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN).     

Além disso, os educadores/as permanecem em vigília na ALMG por tempo indeterminado, e tem Assembleia Estadual, no dia 27/9, próxima terça-feira, no pátio da ALMG. No local, eles vão definir as novas estratégias e os rumos para o movimento.

Greve de fome – Permanecem sem se alimentar os trabalhadores/as Abdon Geraldo Guimarães e Marilda de Abreu Araújo. Eles estão em greve de fome desde as 14 horas de segunda-feira (19/9) e vão permanecer assim até o Governo negociar com a categoria. O estado de saúde dos educadores/as é estável.



Fonte: http://www.sindutemg.org.br/

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Secretário do ANASTASIA (PDT) só é demitido após preso


Reportagens do Novojornal há mais de dois anos vêm denunciando o esquema criminoso montado na Secretaria de Regularização Fundiária administrada pelo PDT

A Secretaria de Governo de Minas divulgou na tarde desta terça-feira (20), nota informando a exoneração do secretário de Regularização Fundiária Manoel Costa e de todos os dirigentes do Iter-MG, tendo em vista a natureza das investigações, que culminaram nas ações judiciais da "Operação Grilo", realizada pela Polícia Federal e Ministério Público.
Manuel Costa foi ouvido pela manhã na sede do Ministério Público e liberado em seguida, mas não quis se pronunciar. Ele foi detido na casa dele, pela manhã, em cumprimento de mandato de busca e apreensão. Durante a Operação Grilo, da Polícia Federal e Ministério Público, foi encontrada um revólver calibre 38 sem registro na casa do secretário.
Ele e nove servidores do Instituto de Terras de Minas Gerais (Iter-MG), entre eles, Ivonei Abade, estão sendo investigados pela "Operação Grilo", realizada principalmente no Norte de Minas. Estão sendo cumpridos 22 mandados de busca e apreensão, dez mandados de prisão temporária, além do sequestro de R$ 41 milhões em municípios localizados, em especial, na Região Norte de Minas. Oitenta e cinco policiais federais participam da ação.
Em Montes Claros estão prestando depoimento na sede da PF o diretor do Iter-MG, Ivonei Abade, ex-prefeito de Janaúba de 2000 a 2008 e suplente de deputado estadual, preso em um hotel da cidade; Evandro Carvalho, responsável pelo Iter em Rio Pardo de Minas; Maria Nilza Barbosa, do Cartório de Imóveis de Rio Pardo de Minas; Breno Rodrigues Mendes, engenheiro florestal em Taiobeiras; Douglas Moisés Quintiliano, ex-policial civil; Gilson Pereira de Freitas, preso em Curvelo, Nerval Maniolo Teixeira Oliveira e Marcos Gonçalves Machado, detido em Divinópolis. Além da casa de Manoel Costa, foram cumpridos mandados em residências de Rio Pardo de Minas, e apreendido um carro pertencente a um prefeito do Norte do Estado.
Segundo a PF, os suspeitos seriam integrantes de uma organização criminosa que vem atuando há vários anos, principalmente na Região Norte de Minas, patrocinando grilagem de terras públicas, posteriormente vendidas a siderúrgicas para o plantio de eucalipto com a finalidade de obter carvão. Estima-se que o volume seja de 10 bilhões de toneladas.
O grupo estaria praticando uma série de crimes, desde falsificação de documentos públicos e particulares, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, e "lavagem de dinheiro".  As investigações da PF apontaram ainda que as terras públicas, situadas no extremo-norte de Minas, foram supervalorizadas em razão de uma "corrida do ouro" ou do "minério de ferro".
Essas terras tornaram-se alvo de intensas atividades especulativo-criminosas dominadas por vários grupos e liderados, especialmente, por siderúrgicas, por empresas de exploração florestal, por cooperativas de silvicultores e por grileiros de terras que se passam por corretores de imóveis de sucesso.
O esquema contava com a participação de servidores públicos vinculados ao Iter-MG que legitimavam a "posse" de terras devolutas por "laranjas", que jamais tinham sido proprietários ou possuidores de terras na região. A seguir, ainda de acordo com a Polícia Federal, numa outra operação fraudulenta, o agora proprietário vendia o referido título a pessoas físicas ou jurídicas intermediárias que, ao final, negociavam a terra com grandes mineradoras a preços astronômicos.
Segundo dados do Iter-MG, somente os municípios de Rio Pardo de Minas e Indaiabira, entre 2007 e 2010, foram responsáveis por 15,57% dos títulos distribuídos em Minas Gerais, sendo que somente Rio Pardo de Minas foi responsável por 12,85%.
A PF ainda divulgou que em apenas um dos casos sob investigação, uma mineradora, cujo nome não foi divulgado, efetuou a compra com pagamento único e em espécie, diretamente aos grileiros, vasta extensão de terras subtraídas do Estado pelo valor de R$ 41 milhões.
As diligências estão sendo feitas em Belo Horizonte, Oliveira e Divinópolis, em Rio Pardo de Minas, Salinas, Serranópolis de Minas, Taiobeiras, Janaúba, Curvelo, municípios estes localizados na circunscrição da Delegacia de Polícia Federal em Montes Claros. Se condenados, os acusados poderão pegar penas superiores a 30 anos de prisão.
Operação foi deflagrada no Norte de Minas, na manhã desta terça-feira (20), pelo MPMG, SEF, PF e PMMG. Agentes do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), da Polícia Federal (PF), da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF) estão realizando na manhã desta terça a "Operação Grilo". A operação já cumpriu 9 mandados de prisão, apreendeu 10 carros e bloqueou R$ 35 milhões em contas e aplicações bancárias. Os mandados foram expedidos pelos juízos das Comarcas de São João do Paraíso e de Salinas.
As investigações que antecederam a operação foram feitas pelo Ministério Público e pela Secretaria da Fazenda com o objetivo de desarticular quadrilha especializada na "grilagem" de terras públicas que são vendidas posteriormente a grandes mineradoras interessadas na exploração de mina de ferro descoberta na região Norte do Estado de Minas Gerais.
Também foi determinado o afastamento dos respectivos cargos de vários servidores públicos acusados de colaborar com as ações criminosas.
Segundo revelaram as apurações, em data recente, as pessoas sob investigação receberam, em dinheiro, importância equivalente a R$41 milhões provenientes da venda irregular de imóveis públicos a mineradora multinacional.
As decisões judiciais ainda determinaram a apreensão desse dinheiro junto às instituições bancárias, por meio do Banco Central.
Ainda de forma cautelar, fora determinada a imediata suspensão de todos os procedimentos em curso no Iter/MG envolvendo a legitimação de terras na região Norte do Estado de Minas Gerais, como forma de se proteger o patrimônio público do Estado.
Participaram da Operação, pelo MPMG, os promotores de defesa do Patrimônio Público; Paulo Márcio da Silva, coordenador regional de Defesa do Patrimônio Público; Daniel Castro e Melo, de Rio Pardo de Minas/São João do Paraíso; João Paulo Alvarenga Brant, da Comarca de Salinas/Taiobeiras; Bruno de Oliveira Muller, da Comarca de Salinas/São João do Paraíso.

Fonte: www.novojornal.com

domingo, 11 de setembro de 2011

Dois 11 de setembro ...



No dia 11 de setembro de 1973 um golpe militar derrubou no Chile o governo do socialista Salvador Allende. A partir desse momento, com o apoio dos EUA, caiu sobre a América Latina a noite das ditaduras. O 11 de setembro de 2001, o ataque às Torres Gêmeas em Nova York serviu como pretexto para que o governo de George W. Bush fizesse da guerra contra o terrorismo o instrumento principal para instaurar um novo poder global. Ironias da história, dois 11 de setembro depois, o legado de Salvador Allende na região está mais vivo do que nunca. O artigo é de Luis Hernández Navarro.

No dia 11 de setembro de 1973 um golpe militar derrubou no Chile o governo do socialista Salvador Allende. A partir desse momento, com o apoio dos falcões de Washington, caiu sobre a maioria dos países da América Latina a noite sombria das ditaduras militares, a repressão e o desmantelamento das conquistas sociais. O Chile se converteu no grande laboratório neoliberal de onde seriam exportadas suas políticas para todo o mundo. Sacrificando Allende se quis frear as lutas de libertação no continente.

O 11 de setembro de 2001, o ataque às Torres Gêmeas em Nova York serviu como pretexto para que o governo de George W. Bush fizesse da guerra contra o terrorismo o instrumento principal para instaurar um novo poder constituinte. No calor da tragédia, os EUA fixaram uma nova doutrina de segurança nacional na qual advertiram que não tolerariam desafios ao seu poder, defendem a ação militar solitária em defesa da unidade nacional, sustentam o direito de efetuar ataques preventivos em qualquer parte do mundo e advertem que a dissuasão contra inimigos que “odeiam os EUA e tudo o que representam” é inútil.

Os dois 11 de setembro são datas que marcam o início de ofensivas do Império para reforçar seus interesses e abrir no continente americano e no Oriente Médio um novo ciclo de dominação e de acumulação de capital. No primeiro caso, o golpe de Estado serviu para frear o avanço da esquerda e das forças nacional-populares no Cone Sul, aprofundar a penetração do capital estadunidense e ampliar a presença militar. No segundo, permitiu à Casa Branca, com o pretexto do combate ao fundamentalismo religioso, avançar no controle dos recursos petroleiros no Oriente Médio e fazer da guerra parte do ciclo de expansão e consolidação da globalização neoliberal. Seu objetivo foi impor uma nova ordem internacional unilateral; estabelecer, pela lógica do fato consumado, um governo autoritário da globalização.

Os dois 11 de setembro reafirmaram o “excepcionalismo” estadunidense. Em 1787, James Madison, conhecido como o “pai da Constituição” dos Estados Unidos, assinalou que o objetivo principal do governo devia ser “proteger a minoria opulenta da maioria”. Em plena Convenção Constitucional, expressou que temia que o número cada vez maior de habitantes que sofriam as desigualdades da sociedade “suspirasse secretamente por uma distribuição mais equitativa dos bens”. A democracia, sentenciou, devia ser reduzida.

Nessa época, outro dos “pais fundadores” desse país, Thomas Jefferson, afirmou: “Estou persuadido que nunca houve nenhuma constituição tão bem calculada como a nossa para a expansão imperial e o autogoverno”.
Quase dois séculos depois, primeiro Richard Nixon e depois George W. Bush se empenharam em tornar realidade em escala planetária a missão que Madison atribuía ao governo e que Jefferson atribuía à Constituição de seu país.

A 38 anos do primeiro 11 de setembro e dez do segundo, na América Latina os povos resistem. Derrubaram as ditaduras militares da década dos setenta e meados dos oitenta e abriram a porta para que candidatos de centro-esquerda ganhassem as eleições. Antes do triunfo eleitoral, já tinha se produzido uma vitória cultural. O que o Império quis evitar com o Golpe de Estado no Chile renasceu por outras vias. As aventuras imperiais de Washington no Oriente Médio debilitaram o controle sobre a área que era considerada o quintal dos Estados Unidos.

Os governos progressistas na América Latina impulsionaram um processo de reconstrução da arquitetura do poder e da geopolítica na região. Há no continente uma redefinição profunda das relações e da inserção com os Estados Unidos, que se expressa tanto no rechaço das políticas da Casa Branca como no surgimento de um novo tecido institucional para favorecer a integração regional. A Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) foi torpedeada e, no Equador, não se renovou o contrato para que os EUA utilizassem a base militar de Manta. Também na contramão de Washington, a solidariedade com Cuba e as relações diplomáticas ativas com o Irã tem sido uma constante. O investimento chinês cresceu vertiginosamente. Com dificuldades, uma proposta pós-neoliberal abre caminho na região.

Ironias da história, dois 11 de setembro depois, o legado de Salvador Allende na região está mais vivo do que nunca.

Fonte: www.cartamaior.com.br 

domingo, 4 de setembro de 2011

Pobreza, Políticas Públicas, Revolução e um debate entre o que temos e o que queremos.



Indiscutivelmente o mundo que temos está abarcado na calmaria da estagnação na qual as idéias que não se concentram nas relações positivistas entre o bem e o mal, o perfeito e o imperfeito, o certo e o errado não podem se credibilizar como formas coerentes de pensamento.
Absorvemos todo grande aspecto de que outra forma de mundo não é possível, pois as coisas são estas mesmas, os pobres continuaram pobres e os ricos, ou nasceram ricos filhos de pais que venceram na vida, ou melhor, nem sabermos, pois somos frágil suficiente para não enfrentar os poderosos.
No ímpeto revolucionário de como estabelecem as relações de poder e como os seres humanos organizaram o mundo, pensar superação da pobreza deixou de ser mera relação de ajuda e concretizou numa perspectiva amenizadora deste mundo no qual os pobres incomodam e como estratégia na qual as políticas públicas iram superar tais problemas, ou melhor, amenizar.
Neste ponto de vista, ao ler José Paulo Netto (2007) me vem um grande ensinamento, pois se como o autor constantemente nos cobra a idéia de: quem erra na análise erra na ação. O que seria então nosso papel frente às políticas sociais que tanto construímos? O porque que chegamos ao poder para dialogar sobre um país rico é um país sem pobreza se não entendemos ainda qual nosso verdadeiro papel.
Sugeriria recordar Antônio Gramsci (1921) na lógica do papel que cada mulher e homem que pretende construir novas formas de organização deste mundo, ou melhor, outra forma de agir e construir as coisas a pensar que em cada uma e cada um de nós a intelectualidade orgânica torna-se fundamental.
Ser Intelectual Orgânico para Gramsci é para além da simples produção de conhecimento que traduza a realidade presente, mas utilizar como Netto refere-se à análise de conjuntura e se perceber em qual “espaço do mundo” pretende atuar. Uma atuação mundo além do seu papel cotidiano, mas referente à práxis de propiciar aos demais componentes da classe trabalhadora (aqueles que vivem do seu trabalho) a reflexão de que se pode fazer diferente.
Um fazer que seja transformador. Que busque no princípio mais revolucionário de todos antes já pensados na humanidade que seria mudar o estabelecido, contrapor uma cultura imposta e perceber no caso das Políticas Públicas que a mesma sem esta ação contundentemente revolucionária que não se deve enxugar gelo. Neste aspecto perceber que a nossa ação enquanto Políticas Públicas muitas das vezes passam a ser lenços e a pobreza o gelo, pois amenizar o sofrimento coletivo na proposta de uma passiva transformação.
Quero se pode querer um país rico por atenuar nossas ações no combate a pobreza absoluta, pois a pobreza perpassa para além das simples condições de faixas de renda e se constituem em diversas facetas entre elas econômicas, políticas, educacionais entre outras que nada mais se constituem nas manifestações da Questão Social. A pobreza que ao mesmo tempo tão prometida seu combate se tem justificada pela mídia e demais setores da sociedade como culpa e produção dos pobres, na idéia de que se deve criminalizar toda e qualquer ação transformadora por mais inconsciente que possa inicialmente parecer.
Se não for nosso papel revolucionário em buscar compreender que nossa formação frente à classe que pertencemos e nossa atuação intelectual na busca da constante análise e busca de estratégias e orgânica na busca do “em si, para si”, estaremos perdendo um momento histórico que nos serve de mais apropriado.
Estamos agora em um momento de conferências, de direitos positivados (nem todos ainda efetivados), de debates, fóruns entre outros espaços de participação e do simples atendimento do dia a dia até aos espaços de massa devemos reafirmar um compromisso não simplesmente conosco, mas com os pares em que nos identifiquemos.
Assim como o pernambucano Chico Science, para que desorganizássemos o sistema vigente, temos que nos organizar e perceber que desconstruir o estabelecido antes de nascermos parte do compromisso militante de todas e todos nós.


*Leonardo Koury Martins: Assistente Social, Escritor de dois livros (O começo da história e Arte em Movimento) e Militante do MAIS-PT.

domingo, 21 de agosto de 2011

Jornada de Lutas do MST!


Por Quem Os Sinos Dobram


Composição: Raul Seixas

Nunca se vence uma guerra lutando sozinho
Cê sabe que a gente precisa entrar em contato
Com toda essa força contida e que vive guardada
O eco de suas palavras não repercutem em nada

É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão de um possível aliado, é...
Convence as paredes do quarto, e dorme tranqüilo
Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo

Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, eu sei que você pode mais

É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão de um possível aliado
Convence as paredes do quarto, e dorme tranqüilo
Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo

Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, eu sei que você pode mais.

sábado, 20 de agosto de 2011

O porquê de votar no CRAS, obra 1 do OP Contagem – Riacho


*Carta aberta aos amigos contagenses, publicada no portal UOL/Literatura e no Blog www.teoriaversuspratica.blogspot.com
Leonardo Koury Martins

É imprescindível quando se fala das conquistas ao longo destes dois mandatos municipais petistas erguidos conjunto o nome da prefeita Marília Campos se não lembrarmos a grande luta da Assistência Social em Contagem na busca pelo trato público com as pessoas.
Estes últimos anos, os avanços voltados à normatização, a sistematização e a construção intersetorial e coletiva fizeram com que o amadurecimento da Assistência Social propiciasse a cidade uma vida melhor, não apenas quanto aos índices de homicídio e mortalidade, mas a qualidade de vida proporcionada aos idosos, crianças e adolescentes, a juventude e as suas famílias.
A Assistência Social apesar de se buscar atender aqueles que precisam como vulnerabilidades no campo econômico, geracional, social e como proposta o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários atende consideravelmente hoje a população mais pobre de toda cidade brasileira. Esta população que historicamente na sociedade foram deixados de lado por um estado opressor em alguns momentos e clientelista e assistencialista em outros, conhecido por um velho ditado: “entre a caridade e a repressão”.
E por mudar esta história, por trabalhar por uma Contagem mais integra nos aspectos mais acentuados construção da cidadania, seria impossível não construir conjunto ao próprio povo a ampliação de equipamentos públicos e a continuidade de um bom trabalho que para além de atendimentos individuais, o fortalecimento da comunidade e da família torna-se não apenas nosso foco legal, mas nosso foco ético e político.
Neste sentido, venho tentar incorporar minhas idéias e minha militância, pedindo voto junto a diversas lideranças da região do Riacho, aos aguerridos servidores da área social e a todas cidadãs e todos cidadãos contagenses possibilitem a mais nova regional de Contagem, a regional Riacho, o primeiro CRAS ou como popularmente chamado, Casa da Família construído na região como também todas as obras de interesse da cidade.
Será nas mãos do povo e na sua perspicácia de perceber a importância da participação popular o aumento significativo dos atendidos pela Assistência Social, tornando cada vez mais uma Contagem democrática na sua construção e continuo planejamento.



Leonardo Koury Martins, Graduado em Serviço Social, autor de dois livros e ex-diretor do Sindicato dos Escritores de Minas Gerais.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Uma nova ordem societária precisa de novas formas de Poder



No ideário da autora e revolucionária Rosa Luxemburgo (1906), não podemos pensar em uma nova ordem societária se não repensarmos as nossas formas de poder, o nosso espaço de condução das “coisas no mundo”.
Não seria desfavorável ressaltar que hoje completamos quase 3000 anos (se considerarmos o ano de 1.1OO a.C.) do modelo de condução do poder em Atenas que apesar de toda sua adversidade histórica buscava uma relação de autorgados na igualdade. Posterior a ele reproduzimos relações sociais hierarquizadas e desiguais entre cidadãs e cidadãos em qualquer espaço que conduzimos como em Roma, nos Feudos e nas relações burguesas.
Mantemos por todos estes milênios no mundo ocidental considerando uma análise histórica e dialética, a construção entre opressores e oprimidos na qual ainda não superamos.
Construímos ao longo desta faixa de tempo produções importantes na humanidade como diria Michel Foucault (1979) como à arte, a ciência, a matemática, mas não conseguimos superar o desafio da desigualdade anunciada das relações. Nesta perspectiva, os sujeitos que tem uma identidade socialista, que busca antes de tudo o combate a opressão e a construção de uma nova forma de organização da sociedade deve perceber as manifestações esféricas e como representam a forma das instituições e a legalidade que garante a continuidade de um modelo repressor forjado muitas vezes de uma falsa democracia suja na economia do capital.
Michel Foucault trabalha esta dimensão, buscando compreender o poder em toda sua representação na esfera social, econômica e cultural como abaixo:
"Trata-se (…) de captar o poder em suas extremidades, em suas últimas ramificações (…) captar o poder nas suas formas e instituições mais regionais e locais, principalmente no ponto em que ultrapassando as regras de direito que o organizam e delimitam (…) Em outras palavras, captar o poder na extremidade de cada vez menos jurídica de seu exercício (Foucault, 1979, p.182)."
Perceber como manifestamos frente às condições já construídas e que tão importante quanto o ato de propiciar uma transformação que somente será socialmente igualitária quando superamos a relação de controladores e controlados, de presidentes e presididos como também de trabalhadores e patrões ou de reis e plebe.
Não se pode compreender um mundo tão moderno como descreve Foucault (1979), pois além de construiu maquinários como Microondas, nave espacial e até jogos tridimensionais não conseguimos problematizar outras formas de construção coletivas que fujam da esfera do comandar e do ser comandado.
Na mesma perspectiva, na condução de buscar outras formas de poder para a construção de outro tipo de humanidade deve-se lembrar que chegamos a um mundo no qual por mais que os teóricos do século 16 previam a morte pela fome, se tem nos dias de hoje supermercados sem nenhuma prateleira vazia e pessoas com fome ao lado de fora.
Buscar uma nova ordem na qual tantas mulheres não sejam mortas pela intolerância masculina, que negras e negros não sejam alvo do racismo da polícia ou que milhares de quilômetros de florestas deixem de existir acabando com toda diversidade ambiental para dar espaço ao agronegócio.
Não iremos superar tamanhos desafios para um novo mundo se assim como Rosa Luxemburgo não percebemos a importância de discutir formas de democracia do poder.
Afinal, se acreditamos que outro mundo é possível, é mais que necessário buscarmos uma construção onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes, pois somente assim seremos totalmente livres.

¹. Leonardo Koury Martins é formado em Serviço Social, professor e militante do MAIS PT.

domingo, 31 de julho de 2011

Trabalhadores/as em educação continuam em greve por tempo indeterminado em Minas Gerais


O Comando Geral de Greve dos trabalhadores em Educação de Minas Gerais, convocado pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), se reuniu no último dia 18/7, no auditório do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Minas Gerais (CREA), os/as trabalhadores/as em educação reafirmaram o calendário de mobilizações. A manutenção da greve por tempo indeterminado foi votado por unanimidade em assembleia estadual no último dia 13 de julho.

A decisão é uma resposta ao Governo do Estado que afirmou, em reunião com a categoria na última quinta-feira (14/7), na Assembleia Legislativa, que vai investir no subsídio como forma de remuneração, se recusando a discutir a implantação do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN) e que só aceitaria negociar política salarial e outros pontos da pauta de reivindicações caso a categoria encerrasse a greve. Na ocasião, o Governo ameaçou inclusive promover cortes salariais, caso o movimento fosse mantido.

Fora da lei. Ao defender o subsídio como forma de remuneração, o Governo descumpre a lei federal 11.738/08, que regulamenta o Piso Salarial, que hoje é de R$ 1597,87, para uma jornada de 24 horas e ensino médio completo. Minas Gerais paga atualmente o Piso de R$ 369,00, que, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional dos Trabalhadores (CNTE), é considerado o pior Piso Salarial dos 27 estados brasileiros.   

A coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Beatriz Cerqueira, lamentou o não avanço nas negociações salariais. “Infelizmente o Governo não nos apresentou nenhuma proposta com relação ao Piso Salarial, que é regulamentado por uma lei federal, por isso não nos resta outra alternativa, a não ser nos mobilizarmos pelo seu cumprimento em Minas Gerais”, destacou.

Nova assembleia. O Sind-UTE/MG convoca os/as trabalhadores/as a participarem da próxima Assembléia Estadual, dia 03/08, a partir das 14h, no pátio da Assembleia Legislativa. 

terça-feira, 26 de julho de 2011

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!


Documentário produzido pela Marcha Mundial de Mulheres, muito interessante e construtivo, importante para refletivos o mundo que temos, que queremos e e que lutamos para que se torne um dia realidade.

Ateu




Se você acredita na força coletiva
Que nenhum ser é tão grande a ponto
de ser maior do que todos os outros.
Que o destino é mudado pelas relações
construídas no cotidiano e transformadas
historicamente.

Além disso tudo,
que as coisas não caem
do céu.
Se não percebeu.

És Ateu.

sábado, 23 de julho de 2011

A Juventude na construção de um Brasil sem Miséria


No ano de 2011, muitos desafios se apontaram ao Brasil e a contínua construção democrática, entre estes desafios diversas conferências que perpassam pelos setores da saúde pública, da Assistência Social, da Segurança Alimentar, das políticas voltadas a criança e ao adolescente, das políticas voltadas à mulher e como não deixar de falar, voltadas também ao seguimento juvenil.    
Simbolicamente, a 2ª Conferência Nacional de Juventude tem um caráter diferente da primeira, esta simboliza consolidar o que se conseguiu reafirmar na constituição federal, a juventude como direito sinalizado após aprovação da PEC 65/2010 e descrita no Art. 227 da constituição:
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
Esta conquista que está positivada na carta magna do Brasil passa agora para esta segunda etapa de controle social com o desafio de efetivação, mas para isto algumas estratégias devem ser percebidas e adotadas.
            Que tipo de juventude, principalmente os movimentos sociais e as organizações juvenis com o viés de esquerda simbolizam e devem representar? Quem são estes jovens que para além da universalidade necessitam da proteção integral do estado na busca do direito ao que foi positivado? Quem são os atores que para além do setor privado tendem apenas ao setor público buscar tais garantias?
            Estas perguntas remetem a buscar certos dados como no do Programa Nacional de Amostra de Domicílios PNAD/2010 onde aponta que 58 milhões de moradias possuem acesso a internet, então, o nosso papel seria dialogar principalmente com este outro Brasil majoritariamente excluído da comunicação virtual e das redes sociais.
            Nosso papel também cumpre dialogar com estes mais de 80% da população juvenil que não tem acesso ao ensino superior como mostram dados do Ministério da Educação, afinal, estamos falando de uma grande parcela da juventude que si quer chega a completar a máxima escolaridade ou até mesmo não completam o ensino médio ou profissionalizante. Passam por sua vez o esquecimento dos piores postos no mercado de trabalho.
            Lembrar que mais de 70% dos encarcerados no Brasil como apresentam dados no Ministério da Justiça são jovens entre 18 a 29 anos, esta população que chega a cerca de 400 mil jovens entre aqueles que aguardam julgamento ou já foram condenados. Os mesmo dispostos a todo tipo de violência, opressão e cidadania cerceada pelas grades.
            É sobre a defesa intransigente dos direitos de uma juventude que teve sua infância explorada no trabalho infantil, hoje compreendem as margens econômicas proponentes ou beneficiarias das políticas de transferência de renda como o Programa Bolsa Família, é esta juventude a qual nos cerca a dizer que precisamos ainda consolidar o que foi afirmado constitucionalmente.
            Assim, com tais argumentos apresentados não pelos próprios jovens, mas sinalizados na idéia da vigilância sócio assistencial dos governos temos um compromisso primordial em pensar que de todas as juventudes existentes em território nacional, esta juventude, maioria em população, precária no que se entende como garantias sociais, civis e políticas e abastada de condições dignas de sobrevivência nos remete a uma só idéia.
            Que não podemos pensar em direitos para a juventude sem antes fazer uma opção pela juventude mais pobre, por uma juventude onde temos uma dívida social historicamente esquecida que assim como sinaliza o Art. 227, temos o dever de “colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.” Se não for este nosso compromisso, estaremos enquanto cidadãs e cidadãos dotados ao fracasso em nossa luta por um país sem miséria.

domingo, 17 de julho de 2011

Dom Helder Câmara




‎"Se der pão aos pobres, todos me chamam de santo.
Se mostrar por que os pobres não têm pão, me chamam de comunista e subversivo." 

Dom Helder Câmara.

“Acordei com um sonho e com o compromisso de torná-lo realidade"
Leonardo Koury Martins

"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar"
Saramago

"Teoria sem prática é blablabla, prática sem teoria é ativismo"
Paulo Freire

"Enquanto os homens não conseguirem lavar sozinhos suas privadas, não poderemos dizer que vivemos em um mundo de iguais"
M.Gandhi

"Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres"
Rosa Luxemburgo